Vidas Secas - Graciliano Ramos

segunda-feira, janeiro 11, 2016


Ganhei este livro da minha mãe em 2014, no final do ano. Só o terminei de ler em 2015, depois do Natal, no meio da viagem do Rio Grande do Sul à casa da minha vó em Santa Catarina. Foi o último livro de 2015 e, por muito tempo, ele ficou esquecido na estante, por que vários ouros furaram a fila em seu lugar. E devo admitir: depois que li um texto sobre "Os 10 livros que melhor retratam a miséria humana" e Vidas Secas estava lá, eu fiquei bem em dúvida sobre lê-lo. 

Entretanto, não o deixaria para trás, um dia eu iria lê-lo, mesmo que fosse apenas para compartilhar a experiência com a minha mãe e chorar. Então, o li e o amei. 

De fato, a miséria humana retratada no livro é muito semelhante às catástrofes de ficção científica que vemos nos filmes da gringa, tipo, todo mundo esta morrendo de inanição, não há onde morar e o sol está matando as pessoas como se fossem formigas. O único problema é que a história não foi baseada no pensamento de um Stephen King da vida e, sim, na realidade de 1930, no nordeste brasileiro, escrito por um homem que viveu para contar que lá as pessoas realmente morriam pela escassez, sem mesmo haver um fenômeno futurístico maluco. O nome desse cara, o autor, é Graciliano Ramos (1892 - 1953).

Vidas Secas nos traz a história de vida de Fabiano (um vaqueiro), Sinhá Vitória (sua esposa e dona de casa) e seus dois filhos, o menino mais novo e o mais velho (cujos nomes não são citados), a cadela Baleia também faz parte da família e é responsável por pensar boa parte da crítica aos demais personagens, o que, curiosamente, dá muito sentido à história.

A família nordestina passa fome, sede, humilhações e desgraças, mas persiste, luta para ter um chão seu e dignidade. O livro é realmente triste, mas não retrata nada menos do que a realidade que, embora seja de décadas passadas, se parece muito com o que ainda há no nordeste brasileiro. Há momentos alegres, cheios de simplicidade, em que se percebe que tudo o que a família quer é o básico, mas isso lhes parece tão distante. Não há comunicação ampla em os membros da família, pois eles mal sabem falar - esse fato expressa as dificuldades que um povo sem assistência passa.

Já vi muitas pessoas torcerem o nariz para a obra, mas além de ser super importante para a literatura brasileira, nos traz reflexões muito importantes acerca dos recortes sociais do Brasil e, claro, sobre os diferentes estilos literários dos mestre escritores brasileiros.

Em Vidas Secas, publicado em 1936, Graciliano Ramos é simples e esplêndido. Um título realmente necessário na memória e na estante.

Um beijo.

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1 comentários

  1. Esse livro foi um dos meus preferidos durante muiiito tempo! ❤ E eu tenho exatamente a mesma edição que você

    www.jiglaystuff.com.br

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