Sobre Roupas e Experiências

terça-feira, janeiro 05, 2016


Na foto acima, sou eu, na praça central da cidade de São Luiz Gonzaga, RS, região das missões, cidade natal do meu marido. Um lugar pequeno e amigável, daqueles que eu adoro. Bem, a questão é que no momento da foto eu estava muito feliz e confortável. Feliz por estar de férias, num lugar que adoro, com alguém que amo. E confortável, porque o vestido que vestia me permitiu aproveitar o momento e amar o meu look. Logo, a roupa que vesti fez toda a diferença nessa experiência. E ainda tem quem diga que roupas não vivem.

O vestido do qual estou falando foi mencionado aqui, em um look que venho usando bastante. Ele foi um desapego de amiga, e o comprei dela por um preço muito bom e que, segundo ela, era justo. O que eu concordo, pois quando falamos de roupas usadas, acho muito mais conveniente colocar preços de acordo com o estado da peça do que com o tempo que a pessoa a tinha guardada. No caso desse vestido, seu estado estava bom quando o comprei, precisei fazer uns reparos básicos, mas ele ainda vai me acompanhar por um tempo - ao que tudo indica.

A cultura das trocas de roupas usadas entre pessoas ainda tem muito o que amadurecer. Ainda há aquele receio de usar uma peça que já foi usada várias vezes, ou de parecer usada ou até mesmo de alguém reconhecer como peça usada. Particularmente, acredito que não há desculpa para não disseminar essa cultura, a qual faz bem para o planeta - cansado de receber resíduos da indústria têxtil - e para as pessoas - cada dia mais afundadas em dívidas pelo consumismo. 

Também entendo que essa nossa mentalidade de não valorizar o que já foi usado é intrínseca e tirá-la da cabeça das pessoas é um trabalho e tanto, mas também sei que isso é um trabalho de formiguinha, onde cada um faz sua parte e o coletivo tem resultados ótimos.

Então, parafraseando Mari Pelli, a fundadora do Roupa Livre: nós precisamos de um novo olhar, de mais equilíbrio e responsabilidade no que diz repeito à moda, às roupas e ao consumo. Essa falsa ideia de que roupas novas são sinônimo de felicidade, quando chega ao fim só traz dívidas. Digo isso, porque, há 2 anos, desde que comecei a vestir apenas brechó e peças feitas em casa, minha experiência com o consumo de moda mudou e me tornou muito mais feliz. As experiências vividas tendo consciência de que não devia milhares de reais no cartão crédito e a satisfação de vestir coisas que eram completamente conversadas com o meu estilo, certamente, mudaram a minha vida.

Por isso tudo é que afirmo: as roupas vivem e estão presentes nas nossas experiências, compondo novos momentos e aprendizagens.

A foto que inicia este post representa a minha felicidade em fazer parte de um ciclo, o ciclo que liga quem desenhou o vestido que eu usava a quem o costurou e, logo, a quem o comprou e usou e depois trocou comigo. Nesse ciclo simples, onde a peça é valorizada ao máximo, todos estamos interligados compartilhando experiências e fazendo da moda algo lindo.

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2 comentários

  1. Amei o texto... Você escreve MUITO, MUITO bem, e o tema além de criativo é também muito relevante. Parabéns Marina, beijinhos *-*

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  2. excelente essa expressao que a roupa pode viver por meio de nossa experiencias. Eu acredito tb que o melhor do que se vestir e o momento pelo qual nos nos vestimos!!!

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