Regras que não existem

quarta-feira, outubro 28, 2015


Nesta semana, eu estava assistindo a um vídeo do Petit Comitê e, prestando a atenção no que a Julia dizia sobre a padronização do estilo e responsabilidade das revistas em criar bons editoriais de moda, eu em seguida refleti sobre as regras da moda que não existem, mas nos oprimem ilusoriamente. Daí, decidi discorrer sobre:

O falacioso papel de algumas revistas de moda na atualidade
Eu amo revistas de moda. Sempre as amei. Quando comecei a escrever editoriais de moda, amei o trabalho e tudo o que mais queria era ser uma redatora de moda, em uma grande revista. Ainda fico esperançosa com esse tipo de trabalho, quando vejo que algumas revistas mantêm o nível nos editoriais e renovam sua linguagem da forma mais informativa e conceitual possível. O desamor é com as revistas que, de toda a forma, se reformularam e adentraram no universo da internet, mesmo se mantendo impressas, fazendo então, uma confusão de linguagens.  

Basicamente, a publicidade e a necessidade dos patrocinadores em vender mais rápido, transformaram as matérias de revistas em tutoriais de como ser alguma coisa. Não existem regras na moda, essas matérias são falácias que mais uma vez tentam condicionar o consumo de moda ao que chamamos de tendência. Caso existissem regras de estilo, seria mais fácil que todos no mundo andássemos vestidos com um uniforme, seria mais prático, a indústria têxtil não seria tão tóxica e as pessoas talvez se preocupassem menos com a aparência e mais com suas próprias vidas.

Estereótipos sendo impostos como regra
Esta transmutação para acompanhar a internet começou a beirar a futilidade e além das regras de consumo/tendências, começaram, cada dia mais, a aparecer as matérias relacionadas ao lifestyle, tais como: “Fulana é vista com barriga negativa”. Mas não é moda. Nem nunca será.

Vejamos: você sabe por que as modelos magras e altas dominam as passarelas? Porque elas são bons expositores, as roupas colocadas nelas têm bom caimento e por isso ficam melhores para visualização. Engana-se muito quem pensa que o estereótipo dessas modelos é o que a moda quer para as pessoas. Até aí tudo compreensível, mas a confusão começa quando as interpretações fora dos desfiles seguem fiéis a um demonstrativo. Ou seja: “as barrigas negativas” passam a ser assunto de moda, desconsiderando a moda propriamente dita, com suas peças, conceitos, arranjos, tecidos, acabamentos, design e tudo o que realmente é moda. Portanto, a barriga da modelo, ou da moça que nem é modelo, mas está na revista de moda, não é o que deve estar lá. Isso não é informação de moda, é confusão de falta e entendimento.

As notícias sobre emagrecimento, vida fitness e tendências não refletem o lifestyle das mulheres que leem essas revistas. É como se tudo o que está escrito fosse direcionado a alguém que não existe. Há pouco tempo se fala em produtos para ativar cachos, em formas de tratam a mulher gorda como alguém normal e não como a plus size desencaixada. Há muito pouco tempo vemos assuntos reais, como trabalho, cultura e sociedade nas revistas (coisas que de fato têm a ver com moda). E as gafes continuam, lamentavelmente.

Livre de desinformação
Ainda cabe a nós, leitoras, receber e interpretar tudo o que lemos, fazendo uma avaliação sobre aquilo que foi lido e no que irá nos acrescentar. Portanto, é revolucionário fazer moda com as nossas próprias percepções. Quando não nos encaixamos nos padrões e aderimos ao nosso próprio estilo, isso também se torna um ato de militância. Todos têm o direito de mudar sua vida, seu corpo, seu estilo, é essa liberdade de poder escolher que torna a moda tão pessoal e incrível.

O papel das revistas de moda é essencial para disseminar informação e conceito de moda. É massivo e desnecessário o que acontece atualmente com muitas delas. Não sei dizer ao certo qual é o objetivo principal com essa mudança de ares, mas como já afirmei, acredito ser a intenção de acompanhar o ritmo proposto pela internet. Nem todas as revistas transmutaram dessa forma, muitas ainda trazem editoriais cheios de conceito e criatividade, e isso é bom.

Sinta-se bem com suas próprias regras. Agregue a si o que for conveniente, mas não se sinto oprimida pelo que não é bem-vindo a você.


Um beijo.

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4 comentários

  1. Adorei o texto, Marina. Também gosto de revistas de moda e outro dia estava lembrando das seções de "certo e errado". Só de imaginar um paparazzi tirando fotos de pessoas nas ruas para colocar uma tarja CERTO ou ERRADO na revista, me dá arrepios. Ainda bem que é uma prática em extinção - o que já mostra que a moda pode estar indo por um caminho diferente, mais livre e mais respeitoso. Será? Espero que sim :)

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    1. Me lembro desse tipo de seção (pelo amor!). Livre é uma palavra que combina muito com moda, mas por incrível que parece na prática a vejo pouco. Temos muito a fazer ainda!

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  2. Muito bom, Marina. Eu, como jornalista de revista feminina, sempre me pergunto quando as leitoras vão parar de consumir tudo isso e começar a olhar para dentro delas próprias. Acho que a "luz" está chegando ;) Beijos!

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    1. Sim! Olhar pra si e perceber como são lindas e únicas, sem repetições. Também aguardo por essa luz, Carol! :)

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