Lady Susan - Jane Austen

domingo, outubro 18, 2015


Lady Susan é uma das obras “escondidas” de Jane Austen. Sim, pois tem um apelo totalmente diferente dos canônicos livros da autora, em uma nuance oposta das heroínas Elizabeth (Orgulho e preconceito) e Eleanor (Razão e Sensibilidade).  Neste livro, simplesmente não há heroínas, é estranho dizer isso quando falamos de uma obra de Jane Austen, mas vamos à resenha.

Lady Susan Vernon é uma coquete (termo usado para caracterizar mulheres que flertavam muito, apenas pelo prazer da sedução). No entanto, não uma coquete comum, jovem e inexperiente. Lady Susan era uma senhora (deveria ter uns 30 e poucos, uma senhora para a época, século XIX) viúva e com uma filha de 16 anos para criar. Todos a conheciam por sua personalidade impecavelmente polida e vivaz. Sempre sendo vista pelas mulheres como aquela que é falsa até o último fio dos cabelos. Após a morte do marido, Lady Susan reencontrou a liberdade e passou a flertar com diversos homens, inclusive os casados, o que gerou diversas intrigas entre famílias e até o adoecimento de uma das esposas traídas. Para piorar, ela é vista como uma péssima mãe, pois queria a todo custo forçar a filha a casar-se com um rapaz rico, porém não querido por ela.

Catharine, a cunhada de Lady Susan tenta proteger Frederica (filha de Susan) com conselhos e palavras de apoio, pois é uma tia muito querida pela menina. Dá até para dizer que Cath é a benevolente da história, mas ela age com tanta raiva de Lady Susan e acaba deixando a sensatez de lado. Em vários diálogos, deixa Susan falando sozinha, pois ela a considera muito falsa e não tem paciência para terminar a conversa. Por fim, não temos mesmo heroínas nessa obra.


O livro é em formato epistolar, ou seja, cartas trocadas entre os personagens, o que automaticamente muda o narrador a cada página. Os ares das cenas mudam drasticamente, o que me deixou muito ansiosa para saber o final da história - também me fazendo ler o livro em horas. Na metade da obra já dava para saber porque não foi tão exaltada como as demais, de Jane Austen. A falta de heroínas sábias e à frente de seu tempo, romances carregados de respeito e entonações sobre sentimentos são inexistentes - muito se deve ao formato epistolar.

Em suma, todos os livros que são lidos depressa são bons, com Lady Susan não foi diferente. Mas asseguro que o fim não me deixou nas nuvens, satisfeita, por exemplo (parecia que faltava muito para a antagonista pagar pelo que fizera). No fim, há uma conclusão, basicamente, justificando que todos os fatos seguintes a última carta se devem as atitudes dos personagens, ou seja: "aqui se faz, aqui se paga".

Valeu a leitura e recomendo sim!

Um beijo.

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