Relações maternas, aprendizados entre mulheres

quarta-feira, setembro 09, 2015

Alice in Wonderland - George Dunlop Leslie 
Nem sempre as relações entre mães e filhas são um mar de rosas. Muitas vezes, as mães abdicam do papel materno para viver outras coisas, ou são obrigadas a sair da vida dos filhos. Embora existam várias circunstâncias para que as mães não se relacionem com quem colocaram no mundo, ainda existem muitos exemplos de relações cheias de aprendizados e sentimentos. Nisto, se inclui a minha história com a minha mãe.

Sempre falei da minha mãe com amor, mas sempre ressaltei a personalidade rebelde e, ao mesmo tempo, sensível dela. Sempre fomos muitos amigas e como ela se separou do meu pai quando eu ainda era criança, nos tornamos parceiras também. Acontece que mãe é mãe e sempre vi naquela pessoa, fora dos padrões, o meu exemplo. Talvez seja por isso que sai de casa tão cedo e quebrei tanto a cara espontaneamente. Ela sempre me inspirou coragem e frases como"Leva um casaquinho!" eram facilmente substituídas por "Vai fazer frio, se não levar casaco o azar é todo seu!". Parece que sempre fui dona da minha vida e minha mãe só estava  lá para me dar amor. As broncas já eram um encargo do mundo, então, ela não perdeu tempo com isso.

Todo mundo tem uma história com sua mãe. Seja triste ou feliz, há uma experiência a ser partilhada e um ensinamento que se leva para a vida toda. Mas como essas pessoas não são eternas, meu conselho é: sua mãe, valorize-a. Minha mãe continua com saúde e mesmo que, às vezes, não esteja com a melhor disposição, ela continua sabendo que a minha posição na vida dela é única e vice e versa. 

Hoje, mesmo ainda sendo jovem e inexperiente, consigo encontrar razão em cada conselho dado por ela. Ou seja, ela sempre teve razão. No entanto, percebo que ninguém, além dela, poderia ter me aconselhado com tanta excelência e amor, me mostrando que ser mulher não é fácil. Com isso, todos os seus conselhos são foram apenas "de mãe" mas também de uma amiga feminista que me mostrou, na pele, que ainda temos muita luta. Afirmo hoje, que meu primeiro exemplo de luta contra a misoginia e aversão aos atos que me condicionavam a ser "mais uma", com certeza, vieram dela.

Mesmo que muitas mães não sejam inspiradoras ou ainda estimulem suas filhas à submissão masculina, a figura materna ainda é a primeira fonte de empoderamento às meninas e, aos meninos. educação igualitária. Então, quando os conselhos maternos vêm para nos ensinar a não ceder aos maus-tratos da vida, eles não se tratam de algo mero e superficial, eles são parte de um mundo melhor, mais igual e respeitoso às mulheres. 

Para as mães que empoderam suas filhas, não somente as amando, mas as aconselhando a amarem-se e a respeitarem seus sentimentos - distinguindo isso de roupas ou esteriótipos - isso é essencial e lindo, tão parte de uma criação íntegra quando ensiná-las a cumprimentar os mais velhos. Por isso, agradeço a minha mãe e todas as mulheres que deixam suas filhas irem à luta, lembrando-as do seu amor, com coragem e igualdade.

Mães, vocês são demais.

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4 comentários

  1. Simplesmente apaixonei pelo blog, ainda mais depois desse texto lindo! É tão bom ler sobre feminismo relacionado à amor, ainda mais a esse amor puro que é o materno <3 Parabéns! www.cataflor.com.br

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    1. Feminismo é amor, né! hahaha que bom que você gostou, muito obrigada e volte sempre, Ray. beijos

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  2. Amei o texto e adoro teu blog Marina. Acompanho as tuas postagens no facebook e não canso de lê-las pois são cheias de opiniões, argumentos, personalidade e cultura. Parabéns! Um abraço a você e ao Felipe.

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    1. Ah, obrigada, Ruthi! Que bom que você gosta, fico muito feliz. Um abraço nosso pra você também. beijos ♥

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