Supervenus: a mulher e os padrões de beleza

quinta-feira, junho 25, 2015


Ontem, na aula de cultura e arte, da minha faculdade de Letras, conheci uma animação bem interessante, a Supervenus, que me fez, novamente, refletir sobre a naturalidade da beleza feminina. Um assunto batido e ignorado, sempre classificado como "assunto de mulher que não se aceita". Daí, questiono: mulher feia? Pois não conheço nenhuma.

Estas que, teoricamente, não se aceitam são julgadas porque querem mudar e, já adianto que o restante do texto não é uma crítica àquelas que fazem e fizeram mudanças no corpo, mas sim uma observação sobre como as culturas de massa expõe a mulher ideal e como este conceito machuca tanto quem o busca, quanto quem não está nem aí para ele. É quase inevitável que a mulher fuja desse julgamento, pois o fato aqui é ser mulher.

As diferentes culturas preservam seus ideais de beleza feminina e, ao percebê-los por quem está de fora de determinada cultura, nem sempre há uma identificação logo de imediato, o que é comum, porque somos alheios aos costumes daquela apreciação. Aquilo que não é comum aos nossos olhos, simplesmente transpassa por eles com o conceito de estranheza e, logo, feiura. Mas como nem sempre há razão em nossas ideias, como ainda subjugamos as mulheres que não aderem aos tendenciosos padrões de beleza? A resposta pode ser finalizada com o fato de que diferentes pessoas têm percepções distintas sobre o assunto, e "o que é belo para mim, pode não ser a você", mas não basta porque hoje o belo também está enraizado ao que cada mulher apresenta além disso. A sociedade seleciona as belas e as separa das feias, que, no entanto, são hábeis e "até" inteligentes. Uma realidade mesquinha, bem abaixo dos nossos belos narizes plastificados ao não.

A escolha entre ser a bonita ou a feia, deprime todas as selecionadas, independente de qual seja a sua posição. As belas lutam diariamente para serem ainda mais belas e buscam, sem sessar, uma forma de ser maior e, ao mesmo tempo, mais fina e mais corada, e com os traços mais marcados. Já as feias, satisfeitas nesta condição de não ser o desejo de todos, trabalham para fortalecer o cérebro que lhes resta, em uma vida comum, sem estar nas capas das revistas, sem ser alguém notável. Essa segregação torna mulheres ainda mais alheias aos próprios direitos, dissemina o conceito do gênero desunido e causa situações do tipo: "feminista é feminista porque é feia, nunca vi uma feminista bonita!". Se levarmos ao pé da pé, seria apenas mais um ponto de vista particular. Mas não. Isso é mais uma forma de generalizar e separar as mulheres ideias das comuns. Esse ideário de que as inconformadas são sempre feias, ignora o fato de que a tristeza e a indiferença, muitas vezes, são os incentivos para que muitas mulheres busquem se tornar o "ideal". Em busca da aceitação dos outros, ninguém pode lembrar de si com plenitude e colocar-se em primeiro lugar. Mas na ironia do mundo ideal, ninguém precisa saber disso.

Já vi também os conceitos que preferem jogar a culpa na publicidade. Afinal, quem torna as pessoas perfeitas nas capas de revistas é a propaganda, que não quer nada além de vender. Ainda prefiro culpar a sociedade que não ensinou aos meninos que mulheres não são mercadorias, e não educou as meninas para se amarem como são. Fim? Não. Porquê nem todo mundo nasce ou é criado com a ideia fixa de que não precisa provar nada a ninguém, e a falta desse ensinamento fere muita gente, as deprime e as maltrata, todos os dias. O julgo da beleza e da feiura apaga a essência de todos. A venda das pessoas perfeitas está na cultura de massa se renovando de tempos em tempos, dos cabelos bem modelados dos anos 1950 aos silicones exacerbados de hoje. Mudam as décadas, mas o julgo permanece. Então eu digo: você não é obrigada, se não quiser! 

Este é mais um post que pede às mulheres para assumirem seus cabelos naturais, saírem na rua sem maquiagem e sem vergonha, e as implora para que se amem, independente do que veem na tevê. Aqui também se pede por menos cérebros arrancados junto às milhares de costelas e narizes, nas mesas de cirurgia estética. Afinal, é só mais um post que pede respeito à mulher, de mulher para mulher e de mulheres consigo mesmas.

Play!

Você pode gostar também:

0 comentários

Você gostou? Então, comente!

Contato

Nome

E-mail *

Mensagem *