Não temos dinheiro

sexta-feira, junho 19, 2015


Mas temos criatividade, o que muda tudo. Os looks perfeitos, para muitos, são aqueles que custam uma grana significativa e ostentam marcas famosas. Tudo bem, todo mundo tem o direito de escolher como se vestir. E se tiver dinheiro para tudo isso, melhor ainda. O que não pode continuar acontecendo é a falácia de que moda só é moda quando os preços estão lá encima. Objetivamente falando, o que fica mais em evidência na vida das pessoas, por causa da mídia e tudo o mais, são as grifes internacionais e a alta-costura, uma realidade que é diferente aqui no Brasil. Assistimos as semanas de moda interacionais e até mesmo aqui no país, crendo que aquilo rege a moda por completo e jamais se estenderá ao nosso meio. O desamino de muitao gente começa aí e o conceito de que "moda não é pra mim" se estabelece de vez.

Moda é, acima de tudo, criatividade e identidade. É o momento em que as peças de roupas falam por quem as usa. Se não houver esse objetivo, ok. Pois ninguém tem obrigação de se vestir para deixar qualquer coisa clara, tampouco seguir todas as tendências. Mas para quem almeja o seu próprio estilo e usar da moda como elemento positivo no cotidiano, basta uma filosofia: "A roupa é minha. Eu faço o que quiser!" (SEVERO, Marina. 2015).

Brincadeirinhas à parte, a moda não tem regra. Ah, mas e todas as tendências que ditam novos estilos todos os anos? O que fazer com elas? As tendências que surgem, todos os anos, servem para movimentar o mercado e propagar novos conceitos de design, tanto que diversas delas são compartilhadas por várias áreas como a arquitetura e a música. As tendências não precisam ser vistas como vilãs da história, pois seu lado incrível é trazer inovação. Entretanto, não é uma regra de estilo aderir a tudo o que acontece de novo. Se não há identificação com as botas cuissard - aquelas super longas que estão usando muito, neste outono -, por exemplo, simplesmente as ignore. Esse medo de não usar das tendências e parecer alguém sem estilo, fecha muita gente em uma redoma de julgamentos vindos, na maior parte das vezes, de si mesmo.

A questão do estilo é discutida sempre e pouco entendida por quem não quer sair do casinha do comodismo. A ideia fixa de que os estudantes de moda passam anos estudando TENDÊNCIAS é tão mesquinha e barata que chega a ofender uma classe de trabalhadores, que mesmo não sendo estilistas, contribuem para o setor têxtil, um mercado que em muitos países gerencia a economia. O que quero dizer é que quando se estuda moda, o foco é a criar roupas com novos conceitos, e para isso, se estudam técnicas diversas, desde a costura básica até os elementos históricos do design. Então, isso desmistifica a moda como algo fútil. Caso contrário, todos andaríamos envoltos em panos sem cortes e formas, ok?

E o que o estudo da moda tem a ver com a construção de um estilo pessoal? Tudo. Afinal, não se estudaria tanto, para que apenas um estilo fosse imposto. Pois é através dos novos conhecimentos de moda e arte que, todos os anos, surgem os novos conceitos, tecidos e técnicas de costura. Ou seja, sem essa mescla de pesquisa avança, que por consequência cria novas tendências, não haveriam fragmentos para que fossem aplicados no estilo das pessoas. Pode-se não aderir a tudo, mas decerto, um pouco de cada coisa vista e amada será agredo nesse estilo tão pessoal.

E a questão da grana que não dura nem para pagar as contas, quem dera para compor looks! Por mais phyna que muitas queiram ser, sabemos que nem todo mundo tem uma árvore de grana (como sua mãe dizia) destinada apenas aos gastos com roupas, acessórios e sapatos. Os valores oscilam de marca para marca, algo natural, pois isso também varia de acordo com os materiais e a mão de obra usados no processo de criação e confecção. Tudo bem, é neste momento em que entra a criatividade, tanto para compor looks com peças baratas, reciclá-las ou até mesmo reinventar com as peças que se tem. Vale até fazer uma mini poupança para comprar suas peças desejadas, destinar um valor mensal ou a cada três meses, por exemplo. O que não vale é se entregar ao consumismo louco e ficar com dividas eternas, pois sempre que isso acontece, rola aquele arrependimento em comprar aquela tal peça que nunca foi usada, porque foi comprada no impulso.

Então, a dica de hoje (que frase mais clichê de blog de moda, rs) é seguir o seu coraçãozinho. Aderir ao que achar melhor. E, quando possível, sempre dar aquela analisada na necessidade de consumo e se não há formas mais conscientes de fazer o que deseja. Aqui no blog, a moda é regada pelo estilo Upcycling - que usa elementos de brechó, costurados com aproveitamento têxtil e feitos artesanalmente -, mas isso não é uma regra, é só mais uma forma de disseminar estilo, identidade e todas as discussões legais e conscientes sobre moda.

Um beijo!

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