Aquelas pessoas da Escola

terça-feira, junho 16, 2015


Sempre que vejo As Patricinhas de Beverly Hills (1995) reflito sobre a minha época de escola. O filme é o meu favorito, disso tenho certeza, pois é minha referência de moda e, inclusive, o roteiro é inspirado na livro Emma (1815), de Jane Austen, minha escritora favorita. Então, Cher é tipo uma santa na minha vida, a personagem incrível, do filme lançado no ano do meu nascimento. Muito amor por tudo isso.

Mas a coisa que mais amava ao assistir o filme, era ver as amigas inseparáveis e o clima do colégio norte-americano. Me lembro de ver o filme com a minha melhor amiga, Francis, e dizer que eu era a Cher (detalhe: eu já tinha 16 anos e um namorado, rs). Por que tanto amor? Porquê as garotas viviam coisas legais, se divertiam, se metiam em roubadas e, o principal, estavam nos anos 1990. E tudo isso tinha, de alguma forma, muito em comum com a minha escola, mesmo sendo pública e localizada no meu bairro, e eu sendo obrigada a usar o uniforme azul com vermelho.

Estas coisas simples, que faziam eu me sentir muito Cher, aconteciam na escola. Todo santo dia o meu colega pirado fazia uma piada idiota que todos riam, mas eu muito Cher, dava uma lição de moral e todo mundo ficava sem falar comigo duas ou três aulas. Nas aulas de educação física, eu e minhas amigas sempre tagarelávamos mais do que fazíamos exercícios. Toda a semana nos reuníamos para fazer trabalho e acabávamos fazendo qualquer coisa, menos o trabalho. Ah, tudo isso era tão cansativo e as brigas idiotas nos corredores do colégio eram tão intensas, que não entendo por qual razão cheguei na fase atual da minha vida e quando lembro, só consigo rir. Talvez porquê no fundo, não tinha nada demais. Era divertido, mas eu percebi a graça de tudo um tempão depois. Eu, todas as minhas amigas, e mais um milhão de pessoas que tiveram uma fase escolar legal sentem isso.

Fico imaginando como estaria a Cher hoje em dia. Acredito que passaria de patricinha para perua e, com certeza, continuaria se metendo na vida alheia achando que está ajudando muito. Só o que não tenho certeza é se Dio, sua melhor amiga, estaria com ela. Pois todos esses sentimentos cultivados na escola, nos fazem aprender muito, sobre tudo, mas sua intensidade vai ruminando e se tornando apenas uma lembrança feliz, que, às vezes, aperta no coração quando bate uma saudadezinha. As pessoas que conhecemos lá, fazem toda a diferença para o resto da vida. Vejo isso, porque em quase todos os lugares que trabalhei, depois de sair da escola, encontrei uma espécie de Francis, uma pessoa muito parecida com a minha melhor amiga, alguém que, de imediato, já comecei a me dar bem. Embora a amizade com nenhuma delas tenha sido tão incrível do que com a verdadeira Francis, todas valeram muito, nem que tenha sido apenas para me fazer lembrar dela. Ainda falo com ela, por mensagem, mas o que gostaríamos mesmo era de nos vermos, quem sabe passar um fim de semana tomando sorvete e dormindo no sofá, como nos velhos tempos.

Falei com outra amiga, esses dias. Me lembro que estudamos juntas, durante toda a escola, mas só nos tornamos muito amigas no ensino médio. Também me lembro que no teceirão eu iria ser a oradora da turma, mas briguei com um colega e não quis ir à formatura (sim, há um arrependimento monstruoso por isso). Com esse furo, a Vá decidiu ficar no meu lugar, e ela deveria ter sido a preferia sempre, pois ela era mais bonita e falava muito melhor (rs!). Depois de tanto tempo, quando começamos a conversar, eu fiquei muito feliz, e nós duas reconhecemos que, por mais doloroso e nostálgico que seja admitir, amigas como na escola, nenhuma de nós encontrou. Ainda e mais cômico foi o meu melhor amigo menino - ressalto o fato de ser menino, pois foi o único na escola -, o Mika. Estudamos juntos na escola e, olha só, estamos fazendo faculdade de Letras, juntos. Embora sejam só algumas matérias, sou muito feliz em tê-lo como colega novamente.

Amigos, colegas, pessoas queridas. Ah, cada um com uma importância implícita em cada lembrança. Fazem muita falta em uma vida de adulto, frenética e sem tempo (tempo, cadê?). Bem, contudo, o que mais amo é lembrar de ser a Cher, ter minhas amigas e meu caderno organizado até o dia da avaliação. Então, que aquelas pessoas da escola morem no nosso coração sempre e, se possível, morem perto também. Isso é insubstituível.


Um beijo!

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2 comentários

  1. Época de escola é muito gostosa! Tenho meus amigos mais chegados até hoje :)
    Muito bom seu texto, parabens...

    www.chaeamor.com

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    1. Essas pessoas são muito especiais, né? <3 Obrigada, Camila.

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