Juliette Society

domingo, maio 17, 2015


Catharine não faz o tipo de moça honesta e inocente de livros como 50 Tons de Cinza, mas também não é uma pervertida. Ela é simplesmente Catharine, uma estudante de Cinema, que ama seu namorado, anda em seu carro popular e sofre com sentimentos torpes como "será que ele ainda gosta de mim?". Diferente de muitos bests sellers que discorrem sobre perfis que muitas mulheres desejam ser (a garota sem graça que, de repente, se torna objeto de desejo supremo de um cara lindo e perfeito), Juliette Society descreve a mulher que muitas nós somos: simples, cheia de incertas, no entanto, carregada de fantasias e desejos que jamais saíram de sua cabeça.

Cath ama Jack, seu namorado, mas ultimamente anda imaginando Marcos, seu professor, fazendo tudo o que Jack deveria, exclusivamente, fazer. Anna é uma amiga louca que entra na história para bagunçar a vida de Cath, pois descreve a ela tudo o que faz da vida, coisas que na prática são exatamente as fantasias de Cath. Cenas como urgias, sexo entre um casal fofinho e até festas loucas são descritas de um jeito muito rico, detalhes que se despem da vulgaridade e dão lugar a uma reflexão profunda de "o que essa garota está fazendo? Isso não faz sentido!". Juliette Society é o nome de um clube secreto de sexo, onde Cath se encontra louca em alguns momentos malucos da história.


Sexo e amor são descritos durante o livro todo de uma forma muito distante das emoções à flor da pele, como é na maioria dos livros eróticos. A autora teve o cuidado de subliminar tudo aquilo que poderia "sujar" demais a história, dando espaço para discussão de problemas sérios, como o crime de divulgação de fotos íntimas na internet e o abuso sexual, questões acompanhadas das críticas e sentimentos de quem o prática. Uma confusão organizada de sensações que permeiam o imaginário de muitas moças comuns que sonham com o amor eterno, mas veem o parceiro sexual em alguém inusitado. 

O livro não atingiu a posição de mais vendido e nem esteve entre eles, pois um público bem específico se interessou em ler algo escrito por uma ex-atriz pornô, algo controverso, porque experiência para falar do assunto ela tem o suficiente. Juliette Society é uma recomendação para quem gosta de mistérios e confusão sentimental. 

Sobre a autora
Sasha Grey é o pseudônimo de Marina Ann Hantzis, norte-americana, hoje, com 27 anos. Uma jovem que começou sua carreira no cinema adulto aos 18 anos, com essa decisão, comprou briga com os pais americanos conservacionistas e muitas pessoas públicas que a condenaram por incitar a exploração sexual infanto-juvenil e, claro, a imoralidade e todo o blá blá blá dos desconhecedores do mercado pornográfico. 


Sasha chamou a atenção de Deus e o mundo quando se declarou uma atriz que preservava a beleza natural e fugia ao clichê pornô. Daí, moças que amam ler, pintar as unhas de preto e falar de política passaram a amá-la e encontrar nela uma imagem libertadora que condenava a divisão entre moças perfeitas e moças que não valem. Com o ideário de Sasha, todas valem tudo porque simplesmente não são a mesma pessoa e não merecem o julgamento preconceituoso do "ser por parecer". Atualmente, ela se empenha em atuar em filmes "normais", escrever livros legais e ser DJ em festas mundo à fora. We love Sasha!

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